21.10.05

Diversos

Alguns links enviados pelos leitores:

- Wanderson Wanzeller (IFT) informa que já saiu o calendário 2006 do Abdus Salam International Centre for Theoretical Physics (ICTP, Trieste, Itália). Vale lembrar que o ICTP, por pertencer à Unesco, financia todo ano a ida de alguns pós-graduandos brasileiros (terceiro mundo, em geral) para frequentarem suas conferências (as conhecidas escolas de verão do ICTP). Basta se inscrever. E ficar torcendo depois.

- Marcos André Betemps (IF-UFRGS) envia o link do I Latin American Workshop on High Energy Phenomenology, a ser realizado de 1 a 3 de dezembro deste ano no Instituto de Física da UFRGS, em Porto Alegre.

Sempre é bom destacar a impressionante concentração de jovens fenomenologistas de partículas no Rio Grande do Sul: até minha última contagem 8 pesquisadores desta área conseguiram recentemente posições permanentes (viraram professores) na UFPel e FURG. Não conheço outra região no Brasil com esta densidade de pesquisadores ativos. Estão formando um grupo de pesquisa extremamente promissor.
Acho que este tipo de fenômeno é uma saída para o "problema" de emprego dos doutores em Física no Brasil. Coloco entre aspas porque na verdade as posições acadêmicas estão escassas apenas nas universidades públicas mais tradicionais, estando ainda disponíveis naquelas instituições públicas mais novas (fora das capitais do sul e sudeste) e nas particulares. É claro que todos querem as primeiras por causa das condições de pesquisa já estabelecidas (e, claro, do status). Mas, como aconteceu no Rio Grande do Sul, se um grupo de doutores da mesma área conseguir se aglomerar numa dessas instituições de menos tradição, começa a ser menos difícil produzir boa pesquisa. É uma saída.
(Até onde sei ocorreu um fenômeno semelhante no grupo de teoria de campos da UFPb.)

(por Andre)

4 Comments:

At 22/10/05 09:46, Anonymous Alysson Ferrari said...

Falou tudo, André. É bem mais difícil "desbravar" os espaços alternativos, como as universidades mais distantes ou particulares, principalmente sozinho. Esses grupos que estão florescendo em regiões "alternativas" podem ser bons exemplos de quando esse desbravamento dá certo.
Por outro lado, tenho a impressão que é muito mais fácil para teóricos conseguirem criar condições de fazer pesquisa em lugares que não tem essa tradição... simplesmente porque a estrutura necessária é bem mais simples. Estou enganado?

 
At 22/10/05 18:19, Blogger Andre said...

Pois é, um dia conversei sobre este assunto com um professor experimental (trabalha com filmes finos) e ele disse que tinha a impressão oposta. Para ele não é tão anormal a perspectiva de passar a maior parte do tempo longe dos equipamentos. O importante era ter acesso a eles.

Sua idéia é que o físico-da-instituição-menor passaria algumas semanas fazendo medidas no laboratório-da-instituição-maior mais próximo e ficaria o resto do ano realizando análise dos dados e escrevendo papers.

Na verdade, é isso que acontece com os experimentais de altas energias brasileiros. O mesmo com os astrônomos. Com a vantagem de que, sendo forçado a visitar frequentemente a instituição-maior (parece aquela coisa de metrópole-colônia, não? ;-) ) o físico-experimental acabaria se atualizando, fazendo novos contatos. O teorico-de-uma-instituição-menor necessariamente precisaria de um grupo de pesquisa local grande para se motivar intelectualmente. Não dá para viver de email.

 
At 24/10/05 14:23, Anonymous Alysson Ferrari said...

Hum hum.... interessante perspectiva. You do have a point! :-)

 
At 26/10/05 16:28, Blogger Cássius said...

Sabe, dois anos atrás a ana Lúcia Barbosa começou uma campanha p/ inserção de grupos de jovens doutores, e eu participei das discussões e da comissão. Nos reunimos com a SBPC e a idéia era apresentar no MEC a proposta de abertura de concursos p/ pequenos grupos de jovens doutores. Num primeiro contato o ministro da época se mostrou bastante aberto à idéia, mas conseguimos pouca mobilização da comunidade (nem a SBF respondeu a proposta); a Ana teve de deixar isso de lado por uma série de motivos, e a coisa meio que morreu. Acho que se houver gente interessada, é um projeto muito interessante que tem chance razoável de resultar em algo positivo.

 

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