14.11.05

Cinco links

Wanderson Wanzeller (IFT) envia link informando sobre a aquisição de novo supercomputador pela USP. É uma máquina da Sun Microsystems que tem capacidade de 2,8 trilhões de operações por segundo (2,8 Teraflops), ficando na 301ª posição do Top500. O primeiro colocado da lista é o BlueGene/L, da IBM, que tem pico de 183,5 teraflops.

Alysson Ferrari (IFUSP) mandou esta notícia da Folha sobre o comércio de teses de doutorado e dissertações de mestrado.

Uma das soluções para o problema é uma maior rigidez dos departamentos na formação das bancas examinadoras, pois este tipo de abuso só acontece por uma eventual indiferença/desinteresse dos avaliadores.
Aliás, este episódio me lembrou o "Caso Bogdanov", onde duas teses de doutorado sem sentido, uma em matemática e outra em física teórica, foram aprovadas pela Université de Bourgogne (o incrível é que Roman Jackiw estava numa das bancas!). O resumo da ópera é que os autores dominavam apenas o jargão da área, mas sem qualquer entendimento do que se passava. Juntaram algumas frases típicas e montaram seus trabalhos. No fim, a complicação das teses e dos artigos era tanta, e isso agora é tão comum em algumas áreas da Física Teórica, que os avaliadores aprovaram-nos, mesmo sem entender nada. Foi um escândalo, mas no Brasil não houve muita repercussão.

♦ uma interessante página de notícias de Física (e afins) feita pelo professor Victor Rivelles (IFUSP) pode ser vista aqui;

♦ via blog do Daniel Ferrante, fico sabendo do lançamento da Revista Ciências Moleculares, organizada por alunos e ex-alunos do Curso de Ciências Moleculares, uma espécie de crème de la crème da graduação uspiana. É um curso interdisciplinar, com bastante liberdade acadêmica (sem currículos pré-estabelecidos), voltado para a formação científica de seus estudantes (40% terminam o doutorado), sendo bastante seletivo quanto ao ingresso de novos alunos. O primeiro número da revista traz, entre outras matérias, uma pequena ficção escrita pelo professor Fleming, e um artigo do Daniel Ferrante sobre C&T, no qual também discute um pouco o conceito de Open Science (esta expressão é meio redundante, não? :) ).


♦ puxando brasa para minha sardinha: via blog do Matthew Nobes, que não é atualizado tão frequentemente quanto eu gostaria, descubro que a matéria de capa da revista Symmetry deste mês (imagem ao lado) é sobre QCD na Rede (Lattice QCD), um método de cálculo de teorias quânticas de campo na qual o espaço-tempo é discretizado, colocando as equações numa forma adequada para sua solução numérica. A reportagem é bastante acessível e dá ênfase às pesadas exigências computacionais desta técnica. Por exemplo, informa o leitor que o poderoso BlueGene/L, mencionado acima, é filho do QCDOC, um chip desenvolvido especialmente para cálculos em QCD na Rede. Mais um spin-off para Física de Partículas :)

(Moderador: Andre)

2 Comments:

At 14/11/05 10:58, Anonymous Alysson Ferrari said...

Realmente, quanto a essas teses "fabricadas", é tudo uma questão da banca ser minimamente competente e se dar ao trabalho de ler o material. Por mais abstrato que seja o trabalho, não vai se deixar de se encontrar ao menos *um* especialista que possa entendê-lo -- aquela história da relatividade geral só ser entendida por Einstein e pelo Edington, mais ninguém, duvido que vá ser verdade hoje em dia.

Interessante esse caso que você citou, realmente não conhecia. Terá sido o troco pelo caso Sokal?

Bom, de fato, discutiu-se bastante a questão da eficiência do sistema "peer review", em parte como resposta daquele artigo publicado na Nature, dizendo que pelo menos um terço dos cientistas tomou alguma atitude "reprovável" em seu trabalho. Que um referee tome um artigo para ler, não tenha paciência e acabe aprovando um material duvidoso (ou mesmo o contrário) já é ruim... mas o triste é quando três ou quatro pessoas sentadas numa banca, uma delas ao menos teoricamente um especialista da área, não são capazes de distinguir trabalho sério de um lixo... putz, aí já é complicado...

Nenhum sistema é perfeito, e assim mesmo o "peer review" e a concessão de títulos após defesa frente a uma banca também têm seus defeitos. Mas eu acho que o sistema seria capaz de barrar esse tipo de absurdo -- venda de teses vazias.

Agora, a questão já fica bem mais complicada, por exemplo, na área de ciências médicas e biológicas, onde o lobby dos grandes laboratórios é muito forte -- ou seja, onde não apenas a busca pelo renome, a defesa do ego, as inimizades pessoais podem influenciar uma decisão, mas também a força do *dinheiro grosso* aparece. Não a toa, o "peer review" em revistas médicas também foi muito discutido, aparentemente sem nenhuma mudança efetiva, por enquanto.

Da credibilidade do sistema de "peer review" se fundamenta boa parte da nossa credibilidade frente a sociedade, acho. Por isso é bom discuti-lo, aperfeiçoá-lo onde necessário para evitar que esse tipo de anomalia continue acontecendo...

 
At 18/11/05 09:20, Blogger Andre said...

Eu já acho que aquela história de apenas três caras no mundo inteiro entenderem um assunto está cada vez mais frequente. A crescente especialização só piora a situação, claro.

Além disso, é muito comum não existir um perito no tema da tese por perto. E com pouca grana é difícil trazer gente de longe.

Eventualmente pode se considerar a idéia de que um membro da banca, especialista reconhecido no assunto, precise apenas dar seu aval à tese, sem ter que comparecer à defesa. Neste caso, seria bom também permitir que a tese fosse escrita em inglês, pois muitos experts não falam português :-)

 

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